Você ouve música não evangélica?

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MÚSICA EVANGÉLICA
Consumimos muito lixo, porque nos foi imposto com uma roupagem evangélica. Devido ao simples fato de uma música falar em Deus, abordar temas sobre a dimensão sobrenatural não significa necessariamente que aquela música seja sacra ou evangélica.
Conheço muitas músicas que são pobres em seus conteúdos doutrinários, eivadas de erros de português, compostas por impulsos meramente comerciais. Será que poderíamos classificá-las como sagradas?
Isso nos leva a perguntar mais uma vez: O que faz uma música evangélica? Que o cantor e o compositor sejam convertidos? E se o guitarrista, ou o baterista não for evangélico? Se o sonoplasta, que está no controle da mesa de som, não for nascido de novo? Alguns ficariam surpresos em saber que a gravação da maioria dos CD’s evangélicos tem uma participação mínima de crentes. Muitas vezes apenas o cantor é convertido, mas toda a banda musical é composta de homens com uma vida alheia a Deus. Isso já não seria suficiente para tachar aquele empreendimento musical como do mundo? Há muitas gravadoras que estão lançando discos com intuito de ganhar dinheiro. Há muitos cantores que nem se lembram mais porque cantam, querem apenas ficar famosos e lucrar muito. Sempre “cantando para o Senhor”.
Devemos cuidar para não desenvolvermos um conceito de santidade que Deus não pede e, pior, nós mesmos não conseguimos efetivá-lo. Caso contrário, acabamos como os fariseus, atando jugos pesados demais nas pessoas e nós mesmos não podemos arcar com todas as conseqüências de nossas escolhas.
A questão dos ritmos
Mas o que dizer dos ritmos? Não seria o rock demoníaco? Não há ritmos que induzem a um frenesi tão alucinante que as pessoas perdem total controle de seus atos? Não teria o rock nascido da cultura das drogas?
Estou seguro de que a melodia, harmonia e ritmo, que se constituem como os elementos básicos da música, são amorais. Nenhum ritmo é santo ou mundano. O uso que se faz deles é que pode adquirir conotações éticas.
Entendamos primeiramente os três principais ingredientes da música: a melodia, a harmonia e o ritmo. A melodia é um desenvolvimento da língua com a acentuação das palavras; na harmonia encontramos o elemento responsável pelo desenvolvimento da arte musical; o ritmo é a base e o fundamento de toda expressão musical. O ritmo disciplina as formas mais desenvolvidas da arte musical, impondo suas leis à expressão desordenada.
Os fenômenos resultantes da cooperação com melodia, harmonia e ritmos são as consonâncias e as dissonâncias. Acusa-se, por exemplo, o rock de ser uma música demoníaca por permitir uma prioridade das dissonâncias. “Essa acusação é fruto de mero preconceito; não existe música de valor sem as dissonâncias. A própria definição do que seja uma coisa ou outra varia muito. Na Idade Média os europeus consideravam dissonantes certos acordes que parecem perfeitamente consoantes ao ouvinte moderno. Essas diferenças ainda são muito maiores quando se compara a música européia (e americana) com a indiana ou chinesa, diferenças que chegam até a incompreensão mútua”. 2
Já existem inúmeros ritmos catalogados. Desde os tempos mais antigos, eles nascem na cabeça dos músicos e vão transformando-se à medida que novas gerações vão dando continuidade àquele conceito musical. A música mais conhecida no Brasil é o samba; nos Estados Unidos é o jazz cheio de improviso; na Índia é a música védica, que não tem compasso no sentido ocidental; no Caribe a rumba e o merengue são repletos de ritmos binários; na Alemanha existe a valsa, cultivada desde os membros da família de Strauss; na Itália há a tarantella; em Portugal o fado, cujo romantismo vem dos mouros. Na Argentina, o tango de compassos precisos tomou conta do mundo na voz de Carlos Gardel. Nenhum destes ritmos tem valores éticos em si mesmos e nenhum deles é mais ou menos apropriado para um cristão. Eles podem perfeitamente compor uma música sacra.
Quando nos desvencilhamos de nossos preconceitos e aprendemos a fazer diferença entre o que gostamos e o que é certo, amadurecemos. A beleza deve ser celebrada, e o cristão necessita de maturidade para desfrutá-la.

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